1 de junho de 2006

Oficina da mar no Fintinha



A partir de hoje até dia 4 de Junho, no espaço Acert em Tondela e a propósito do Fintinha, exposição Oficina da mar , com "visita guiada" pelo fantástico Contador de estórias, Luís Silva.

30 de maio de 2006

D. Milu Geleia no Pequeno Herói



Nasci no País-dos-Doces-de-Cima, que fica na Terra-dos-Sonhos, que tanto pode ser longe como perto – eu já explico. Não me perguntem qual é a estrada para lá, porque a única maneira que conheço de lá chegar é fechando os olhos e imaginando caminhos com chão de flores pelo meio de terras e terras cheias de árvores de fruto e um perfume a rosas no ar. É fácil chegar lá se tivermos força para sonhar e imaginar, mas longe quando somos preguiçosos e só pensamos em nós e esquecemos os outros meninos.
Quando era pequenina aprendi a fazer geleias com a minha avó, que já era conhecida por fazer as melhores de todo o País-dos-Doces-de-Cima – não é brincadeira nenhuma, porque no meu país o que não falta é doceiras! As da minha avó deliciavam a criançada toda da região, de tal maneira que todos os dias havia filas do comprimento-de-combóios para as comprar. Como a nossa terra era rica em árvores de fruto podíamos fazer geleias de tantas qualidades que os dedos das mãos e dos pés não chegam para contar. A minha preferida era a Geleia-Mais-Que-Maravilhosa-de-Maçã-e-Hortelã, que, entre muitas outras, também aprendi a fazer! Eram uma delícia aqueles lanches ao fim da tarde, depois de regressarmos da Escola, quando a minha avó nos fazia um chá de cidreira para acompanhar o pãozinho. Era de lamber os lábios por mais! Que saudade!
Agora, como também sou conhecida por fazer geleias muito gostosas, passe o elogio, chamam-me D. Geleia. Na verdade, talvez vos custe a acreditar, mas já nem sei o meu nome verdadeiro. Que geleias é que já provaram? Aos meninos que se portam bem e fazem os deveres da Escola costumo preparar uns lanches muito saborosos com chá e pãozinho barrado com geleia ao gosto de cada um: morango-vermelhinho-mais-que-delicioso, pera-sardenta-docinha, ameixa-de-lamber-os-dedos e muitas mais.
Depois do lanche, e das outras refeições, nunca se esqueçam de lavar os dentinhos!

Sr. Alfredo Compota no Pequeno Herói



Chamam-me Sr. Compota, nome que já vem de tempos antigos, coisa de família. Sou da Terra-dos-Sonhos, quase vizinho da D. Geleia, por quem tenho uma grande amizade – gosto muito dela! Eu cá nasci e cresci, e não foi pouco (olhem para o comprimento dos meus braços e das minhas pernas!), no País-dos-Doces-de-Baixo. Nestas duas terras vizinhas há uma velha tradição de aproveitar as frutas maravilhosas que a natureza nos oferece. Nada se deita fora. Há fruta que se come como fruta, mas também há fruta que acaba transformada em sumo ou geleia ou compota. Não, eu não sou uma compota – não olhem para mim com água na boca! Cuidadinho que ainda ficam com a língua a saber a trapos! Chamo-me Compota porque, à semelhança da D. Geleia, venho de uma família de fabricantes de doces, neste caso de Compota. A família acabou por ficar conhecida por esse nome, o que acho muito agradável! Afinal, quem não gosta de comer uma boa compota? As nossas faziam tanto sucesso entre a criançada que os meus avós construíram uma fábrica e tinham uma marca própria chamada De-trás-da-orelha.
Já alguma vez provaram uma compota De-trás-da-orelha com aqueles pedacinhos de fruta a derreter na boca? Se são bons meninos, estudiosos e bem comportados, podem pedir às vossas mães, tias ou avós um lanche à maneira! Experimentem comer um bom iogurte com compota – é de chorar por mais!
Há um segredo que vos vou contar. As compotas são um alimento muito bom, saboroso e saudável, desde que não se coma demais, para não se engordar, e se tenha o cuidado e lavar os dentes depois. Devemos fazer refeições equilibradas, e isto inclui acabar sempre a sopinha.
O mais divertido são os bigodes eu nos ficam na cara depois de nos deliciarmos com um bom lanchinho. Já sei o que estão a pensar, que os meus bigodes são de compota... Seus malandrecos.

Anacleto Cão Guru



Nasci na Austrália, mas a minha família é originária da Índia. Os meus antepassados adoptaram o nome Guru porque um avô-mesmo-muito-antigo tinha sido chefe espiritual da aldeia onde vivia, aconselhando as pessoas para que vivessem sempre em paz, de forma solidária e amiga, fraterna. A terra dele chama-se Goa, uma antiga colónia portuguesa desde os tempos dos descobrimentos. Lá os velhotes são respeitados e valorizados porque as pessoas sabem que eles acumularam muita sabedoria ao longo da vida.
Já viajei por alguns países na região onde nasci antes de vir para Portugal. Fui a Macau e a Timor, também duas antigas colónias portuguesas no Oriente. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar àquela parte do Mundo e a estabelecer relações comerciais com aqueles povos. Foram quinhentos anos de trocas culturais e agora ainda há uma boa relação de amizade entre os povos desses países e os portugueses. Foi lá que aprendi a falar português, língua que ainda hoje é falada por muitas pessoas.
Às vezes dizem-me que não há cangurus na Índia, mas no mundo dos bonecos tudo é possível porque não há limites para a imaginação. Para dizer a verdade não sou um canguru, mas sim um cão parecido com um canguru. Lá no fundo somos da mesma família. Mas tenho muitas diferenças com os cangurus da Austrália. Não falo inglês e não gosto de hambúrgueres; prefiro pastéis de bacalhau e sopa de cenoura, ou então um caril de frango, e para rematar um bom pudim de ovos, coisa que os amigos australianos nem sabem o que é. Também adoro algumas frutas como as mangas, os abacates ou os abacaxis, que são características de países quentes como a Índia ou Timor (lá é quente o ano todo!).
Os meus familiares sempre me ensinaram a respeitar os bonecos de todas as cores, com culturas e línguas diferentes, vindos de outras terras, porque temos muito a aprender com eles, coisas que nos tornam mais-ricos-na-alma e mais sabedores. É por isso que eu adoro fazer novos amigos.